domingo, 7 de junho de 2015

Odor de ápice

Passa por mim vinda da pista de dança e do neon, lábios afetados e o quadril perfeito, o vestido pueril represando um odor de fêmea em seu ápice, mas a aura é turva, o olhar baixo denuncia, a insegurança não te cai bem, minha querida, você nem me conhece, mas o cruzamento das nossas retinas produz chispas, você sabe, penteado à Louise Brooks sobre cílios pintados, você sabe, pele de boneca moldada a Kama Sutra, o que me impede entre a tua miragem e o teu íntimo? Com que máscara te contracenar? A insegurança não me cai bem, minha querida, mas eu já estou em um rumo sem volta, e você senta em uma poltrona e fica com outro cara.

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